Da cobardia: Portugal, 22/03/2011.
Na foto (acima): uma fotojornalista da agência AFP sendo agredida pelas forças policiais.
No vídeo (abaixo): uma cidadã sendo agredida pelas forças policiais.
No vídeo (abaixo): uma cidadã sendo agredida pelas forças policiais.
É lamentável — e preocupante — que pessoas com um mínimo de instrução ignorem a enorme diferença, em termos de gravidade, entre actos de violência levados a cabo por particulares — que condeno — e a violência ilegítima exercida por forças que actuam em nome do Estado de Direito e cuja missão é a manutenção da segurança pública.
14 comentários:
Que revoltante!
Sim, Helena, é revoltante; mas, mais do que isso, é degradante para um Estado que se diz de Direito Democrático.
Á hora do almoço - ontem - dei um salto ao Saldanha e já por ali se juntavam jornalistas e manifestantes com um ar artsy (rastas e com aquela alegria despreocupada de quem acredita que tudo (e nada) pode acontecer mas leva sempre a mesma boa disposição e estado zen).
Esperava para atravessar a passadeira e atrás de mim um mundo de "engravatados" vindos, ou a caminho, do almoço. Os comentários eram tão cheios de fel que me incomodaram.
Só uma pessoa cheia de medo e ódio por si próprio pode destilar tanta maldade por quem não conhece. Eu olhava para a multidão e pensava "é certo que são diferentes mas, caramba, o que estão a fazer para provocar tanto ódio e desprezo?". Só pode ser medo, ódio e desprezo por eles próprios - os "engravatados" - do medo que têm de deixar o seu mundinho e arriscarem, lutarem por algo mais que não seja um estacionamento no Piso 0...
Os polícias, esses, batem-lhes assustados pela mesma razão. Enquanto agitam o bastão não têm de parar para pensar nas suas próprias frustrações. O pau basta-lhes.
Gente Má! Bestas! Só um ser humano mau - a tocar o sociopata - pode arremeter e provocar dor a um ser humano com essa sede de sangue.
Sorry, Carlos, pelo comentário demasiado longo; mas como mãe, mulher e amiga de seres humanos tudo isto me toca. Demasiado, talvez. Sorry!
Ora essa, Teresa: comente à vontade! Eu é que agradeço o «feedback» de quem vem por bem, como é o seu caso.
A violência policial é uma coisa que me causa sempre muita confusão e incómodo. Heranças de "memórias contadas" de outros tempos. Ainda assim memórias.
É muito fácil ser forte com quem é mais fraco -- e também muito cobarde, claro.
Carlos,
Ao contrário de certos animais falantes que rejubilam com um "inquérito" que o MAI ordenou, condeno as chefias que permitem isto e não rapazolas que com uma farda se sentem donos do mundo. O responsável último de uma instituição como a PSP é o ministro, o rapazola é a voz do dono. E lamentavelmente, como sabemos, já está tudo a arder, embora momentaneamente em lume "brando".
Abraço e keep up the fight
Fernando, condeno todos. Os «rapazolas», como os denominas, têm cabecinha -- ou, pelo menos, deviam tê-la. Abraço.
(e obrigado)
A propósito da cabecinha que os rapazolas têm, lembrei-me de a Alemanha ter levado a tribunal os soldados da ex-RDA que mataram pessoas que tentavam passar a fronteira. Claro que se perguntava "então os chefes fugiram, e o peixe miúdo é castigado?"
No limite, é uma questão filosófica: a responsabilidade individual quando se está a cumprir ordens.
Mas no caso concreto do Chiado, parece-me que os polícias não pensaram na sua própria responsabilidade, nem nos seus deveres, nem pensaram em nada. Começaram a bater à louca.
E aquele comentário seu, Carlos, sobre a cobardia de bater nos mais fracos, aviva-me uma dúvida dos últimos dias: se não fossem simples cidadãos em manifestação, mas os matulões das claques loucas de futebol, será que os polícias tinham agido da mesma forma?
Helena, depois de ter escrito este post, vi uma foto em que uma senhora de saia comprida foge de um polícia com cassetete em punho e uma expressão grotesca. Com o vídeo e a foto que publiquei, são pelo menos três casos de polícias a bater em mulheres indefesas. A minha dúvida dos últimos dias é a seguinte: será que é a este tipo de pessoas que as vítimas de violência doméstica têm de recorrer?...
Pois...
Mas numa dessas fotos, parece que se trata de um homem que pôs uma saia.
No meio disto tudo, não sei se foram provocados ou provocaram, ou se foram provocados por agitadores profissionais e pagos para isso.
Mais grave ainda que a polícia bata assim, é a suspeita que esta pancadaria seja toda preparada previamente.
É tudo muito grave, mas, como escrevi no post, de um dos «braços» do Estado de Direito espero mais, muito mais do que aquilo que me foi dado assistir.
ainda hoje tive essa discussao sendo que, para mim, nem é motivo de discussao, de tão óbvio que é...
(a diferença que refere)
Também já tive essa discussão, e a única coisa que concluí é que só não percebe a diferença quem não quer percebê-la.
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